segunda-feira, 30 de junho de 2008

Pontos negros (negríssimos)! Take II

A lagoa das Águas Mansas - O fim justifica os meios. Ninguém questiona a necessidade das lagoas de altitude para reter águas. Mas a fase de construção tem este impacto. A obra a cargo da IGA já está em curso, vai custar cinco milhões de euros e permitirá um reforço da adução da Estação de Tratamento de Água do Santo da Serra, garantindo o regadio agrícola no lanço Sul do canal dos Tornos. Vale pelos fins.

A ribeira da Ponta do Sol está assim - O leito estrangulado e ocupado para passar a via expresso. O mesmo acontece no Ribeiro Seco. Nos Socorridos, os apetites são outros. É a expansão empresarial, a extracção de inertes e a sua acumulação nas margens. Umas vezes legal, outras ilegal. Na ribeira do Faial e no Porto Novo a 'chaga' também fere a paisagem. Em São Vicente há montes de inertes nas margens. A ribeira da Madalena também foi massacrada.

Na Fundoa a encosta ficou neste estado. São as máquinas a esventrar a terra. Parece que o Homem quer fazer jus ao provérbio japonês: 'As dificuldades são como as montanhas. Elas só se aplainam quando avançamos sobre elas'. MAL! ...

O vale do Porto Novo está neste estado - Há outras pedreiras e britadeiras: junto ao Parque Ecológico e na Fundoa (Funchal); ribeira dos Socorridos; João Frino (Santa Cruz); Caniçal, junto à saída do túnel e mais a leste; ribeira do Faial; Malhadinha (Canhas); zonas altas do Estreito de Câmara de Lobos; ribeira da Fundoa (Prazeres), etc..

Águas Mansas, aterro projectado, desfasado da realidade. Estão expectantes/abandonados/suspensos outros aterros, como na Chaga do Ponto (Canhas) -proponente abandonou a intenção; Lanço de Água (Canhas); Curral dos Burros (São Vicente) - suspenso; Bacelo (Caniçal) - proponente aparentemente desinteressou-se; Linhares (Porto Santo). Em licenciamento: Eira das Moças (Campanário) e Cardais (Água de Pena).

Aterro da Herdade da Achada Grande - A propriedade da Fundação Social Democrata compactou cerca de 930 mil m3 de terra. Os taludes acompanham o relevo, ao contrário de outros. Há aterros, em execução, nas Carreiras; Malhadinha (antiga lixeira); Lombo do Coelho (Prazeres); Cabeço do Moinho e Chão do Bardo (Pt.º Moniz); Cardais e Javarina (Machico), entre outros.
Britadeiras
Confundem-se com pedreiras. São autênticas chagas na paisagem. Os vales do Porto Novo, Socorridos e Ribeira do Faial são os mais sacrificados.
Aterros
São 27, na Madeira e P. Santo, monitorizados pelo Direcção de Projectos de Intervenção Ambiental. Uns 100% concluídos, outros com capacidade para mais m3 de terras.
Ribeiras
São as mais massacradas. Onde há um vale há mão humana. Faial, Socorridos, Santa Luzia, Porto Novo, Ponta do Sol, Madalena do Mar são sintomáticas. Intervenções Humanas.
O impacto visual entra pelos olhos dentro. São prédios, viadutos, obras megalómanas que, legais ou ilegais, ferem a paisagem.

Pontos negros (negríssimos)!

Lá do alto, é irrelevante se o aterro, a pedreira, a extracção de areia ou a intervenção urbanística são legais ou ilegais. O que salta aos olhos é o impacto visual da acção humana no território.

O DIÁRIO sobrevoou parte da ilha da Madeira a bordo do helicóptero da 'Heliatlantis' (durante uma hora) e parte do resultado é o que as imagens documentam. Foi uma 'Flying Experience' à procura dos 'pontos negros' na paisagem. Inventariámos 52 zonas vulneráveis.

De saída do Funchal rumo a Oeste, salta à vista o quarteirão do 'Funchal Centrum'. Segue-se o Ribeiro Seco. A construção da via expresso para o porto do Funchal está a estrangular o ribeiro e a deixar marcas na paisagem. No vale, a montante, é visível a construção em zona verde urbana de protecção. Os picos dos Barcelos e das Romeiras, cada vez mais cobertos de construção.

Aproxima-se a central termoeléctrica dos Socorridos. As chaminés deitam fumo sem tratamento dos gases poluentes. Mas o problema mais grave é a montante: a extracção de inertes, e a sua acumulação nas margens, vai ribeira dentro quase até ao Curral das Freiras.

Passado o Cabo Girão, do mar, é visível a ausência de integração paisagística da via rápida, na zona do Campanário. Mais à frente avista-se a descaracterização do litoral com enrocamentos marítimos na Ribeira Brava e Ponta do Sol. Adivinha-se o mesmo na Calheta. Entre túneis da estrada antiga (Pt.ª do Sol/Madalena) o Homem esventra a rocha.

Sobe-se o vale da ribeira da Ponta do Sol. Outra intervenção humana (via expresso para os Canhas) que deixa marcas na paisagem. Ribeira estrangulada e ocupada. Contrastes de verde e castanho. Lá ao fundo o grande impacto da pedreira da Malhadinha (Canhas). Para lá do horizonte adivinha-se outros cenários: pedreiras na ribeira da Fundoa, Prazeres; pastoreio de gado bovino no chão do Fanal (a destruir tis seculares); espécies exóticas a ameaçar a Laurissilva na Boaventura.

Rumo a Leste. Agora pelo interior. O parque empresarial da Ribeira Brava surge-nos pela frente. Segue-se o aterro do pau branco, Câmara de Lobos. Depois, a pedreira no Estreito, à beira do vale dos Socorridos.

Na ribeira de Santo António, um amontoado de empresas. Na Fundoa, pedreiras e aterros. Onde está o tampão verde! Outra pedreira junto ao Parque Ecológico em expansão é bem visível do Funchal. Britadeira a rivalizar com N.ª Sr.ª da Paz (Terreiro da Luta). Estádio do Nacional construído em zona florestal.

Segue-se o aterro da Fundação Social Democrata. Taludes bem organizados a contrastar com o aterro logo abaixo do restaurante 'Abrigo do Pastor', desorganizado. Quatro estradas, antiga lixeira da Meia Serra, Águas Mansas. Aqui, duas intervenções brutais. A construção da lagoa de retenção de águas e um aterro ali ao lado (desfasado da realidade). A pedreira e a britadeira de João Frino a roçar o Parque Natural. Lá de cima, não se vê nem se sente os efeitos das descargas de dejectos de agro-pecuária no Santo da Serra.

Adivinha-se o que virá mais à frente: aterro junto à Aldeia da Paz; aterro de Água de Pena (Cardais); pedreira do Caniçal, junto à saída do túnel; extracção de inertes na ribeira do Faial.

Rumo ao sul. Vale do Porto Novo. Uma lástima com pedreiras e britadeiras. Aterro marítimo do Porto Novo, Garajau, Funchal. Pressão urbana. Casas à beira de precipícios.
DN Madeira - 30-06-2008

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Grafittis de Bansky

Robert Banks, mais conhecido por Bansky é um inglês que grafita nas ruas de Londres e em muitas outras cidades espalhadas pelo mundo fora. As suas obras de arte são muitas vezes satíricas e incluem temas como a política, a cultura, a ética. A sua arte de rua combina o grafitti com uma técnica única de stencil.





quinta-feira, 26 de junho de 2008

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Châmume Silêncio e sô bontipu




Banda desenhada de Didier Comés conta uma história sensível e de uma terna melancolia, sobre um jovem mudo e deficiente mental cuja inocência choca com a intriga e a perversidade da aldeia perdida da França profunda em que vive.
Através de uma descrição desencantada da França rural, em que a ignorância e obscurantismo se misturam com a magia e a superstição, Comés criou uma intriga inesquecível, em que os traumas da perda da inocência se misturam com os prazeres da descoberta do amor. Mas que é também uma história de vingança e, antes de tudo, um libelo acusatório contra os que usam a violência como arma do ódio contra a diferença; em especial contra a diferença que não se consegue manipular.
Um mergulho no preto e branco. Intenso. Uma paixão imediata. É um livro que se sente a cada página, desenhos que gritam e entranham em nós. Um silêncio que ensurdece. Um silêncio que dói.
Por tudo isso, "Silêncio" ocupa um lugar especial no meu imaginário.

"E vocês dirão para vós mesmos que um tipo assim é demasiado fantástico para ser verdadeiro" - que é 'Silêncio'. "Se vocês acreditam no esterco, na noite espessa, é preciso acreditar também no dia límpido, porque eles andam juntos. É preciso acreditar em Silêncio".
Prefácio de Henri Gougaud

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Paulinho Moska e Chico César - Pedra de Responsa

porque uma memória desembrulha outra...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Raul Seixas - Metamorfose Ambulante

Saber e não fazer, ainda não é saber


Diz a sabedoria indígena que quando não cumprimos o que prometemos, o fio da nossa acção que deveria estar concluído e amarrado em algum lugar fica solto ao nosso lado. Com o passar do tempo, os fios soltos enrolam-se em nossos pés e impedem que caminhemos livremente, ficamos amarrados às nossas próprias palavras. Por isso os nativos têm o costume de "pôr as palavras a andar" que significa agir de acordo com o que se fala; isso conduz à integridade entre o pensar, o sentir e o agir no mundo e nos conduz ao caminho onde há harmonia e prosperidade.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Mais perto de nós


Num amor, recorrentemente, esquecemo-nos de nós; de usufruir da nossa companhia; esquecemo-nos de alimentar, de nos alimentar. Porque, se nos perdermos, depois complicamos a tarefa de nos reencontrarmos. Não se gosta mais ou menos, não se dá muito ou pouco, conforme se perdem os interesses; conforme se perde a individualidade. Atrevo-me, gosta-se menos, porque se gosta de menos. Contudo, a larga maioria de todos nós, quando se perde de amores, tende a deixar para segundo plano aquilo que fez com que o outro se apaixonasse – as ideias, as palavras, o brilho, o dress code. Deixamo-nos engolir pelo um do casal. Isto acontece a muitos. A muitos bons. E a muitos maus. Decerto a muitos muitos. É possível, melhor, é muito desejável que se não projecte no segundo elemento o nosso bem-estar. Podemos (e devemos) ser um que se consiga dividir em dois, cada um com interesses próprios, e outros tantos em comum. Quem o sabe e aplica é mais feliz. Porque mais pleno. Combinar uma relação a dois – o amor – com a relação individual e indissociável de si – o amor-próprio. Discutir uma peça de teatro com ler em silêncio, uma cerveja com os amigos com vinho no jantar de ambos, confidências de meninas mulheres com segredos na cama. Quem disto sabe está perto de ir mais longe. Está mais perto de ir muito mais longe. E caso não vá, está balizado. E assim fica.
Pelo menos, mais perto de si.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Breve deambulação pelo mundo da inveja


Deixem-me brincar um pouco à volta de um fenómeno, o da inveja nacional, e regional, que tem por hábito divertir-me e deixar-me num estado de excitação que poucas mulheres conseguem...
O fenómeno é cultural, e universal, caso não o fosse não teria sido eleito à escala mundial como um dos 7 pecados que um dia alguém resolveu listar. Vá lá saber-se com que intenção.
O fenómeno corrói os que invejam e atormentam muitos dos que são invejados. Provoca noites de insónia, olheiras profundas, palavras envenenadas, boatos inquinados.
A inveja, enquanto característica humana, tem sido explorada em variadíssimas vertentes. Desde piadas, anedotas, filmes, frases lapidares que ainda hoje fazem história, letras de música, spots comerciais e um sem fim de recursos devidamente aproveitados e sustentados nesta inesgotável fonte de inspiração.
A inveja consegue enraizar-se de tal forma nos que por ela são contaminados que, qual nódoa profunda e teimosa, resiste a todo e qualquer produto de limpeza, sendo para tal necessário recorrer à imagem tantas vezes divulgada de pegar numa tesoura e cortar à volta da...mancha. Ora, no caso dos invejosos, a solução será pegar numa tesoura ainda maior, romba de preferência, e cortar a eito tudo o que forem línguas maldosas e dedos escrevinhadores para que assim lhes seja castrada essa infame tendência. E poderem, finalmente, entrar no tão desejado (apenas por alguns...) reino dos céus.
A inveja é uma forma de estar nacional. Nasce com o ser humano. Em alguns desenvolve-se, noutros nunca se declara. Bem hajam uns e outros! Porquê? Porque aqueles que a desenvolvem serão sempre motivo de chacota e gozo dos que, estando por fora, ou seja, "os outros", vão tranquilamente apreciando os estertores e tiques dos infectados.
O meu vizinho inveja-me porque eu tenho uma caixa de correio não normalizada ou formatada pela UE ou pelos ditames do construtor. O meu colega de escritório inveja-me porque a minha mulher é bem melhor que o milho (isto é, a mulher dele que não passa de uma espiga mal amanhada). O meu médico dentista inveja-me porque a minha dentadura é melhor que a dele. O meu suposto amigo inveja-me porque o meu carro tem mais dois cavalos de potência que o seu. O gajo que me serve o chá na esplanada inveja-me porque o meu telemóvel já vai na septuagésima geração e o dele ainda não passou da segunda. O meu cliente inveja-me porque consigo ter uma postura anti-subserviente perante si. E por ai fora num interminável rol de situações que serão sempre invejadas por tantos que, de uma forma ou de outra, se cruzam connosco ao longo da vida.
Na Madeira a inveja ganha estatuto superior. É levada pela mão em quase todas as situações do dia-a-dia. Para o emprego, para o jardim, para o café, para a praia, para o cinema, para a galeria de arte, para a reunião de qualquer coisa, para a livraria, para a padaria, para a modista, para o cabeleireiro, para os jornais. Eu sei lá....!
Na Madeira, como aliás em todo o restante território nacional, se fazes bem és invejado, se fazes mais és invejado, se fazes melhor és invejado, se apareces mais és invejado, se tens sucesso és invejado, se sorris és invejado, se tens um carro topo de gama és invejado, se apareces muito nas colunas sociais és invejado, se publicas mais livros és invejado, se apresentas programas de sucesso na televisão és invejado, se és charmoso e vestes bem és invejado, se tens uma boa casa com obras de arte és invejado. Até se a tua pilinha for maior e mais rechonchudinha... és invejado!
Enfim, invejado por ter ou não ter cão, eis uma forma triste, mas lamentavelmente autêntica, de ser português.
O que fazer nestes casos? O que eu faço: rir, tornar-me um pouco mais arrogante, olhar com pena os invejosos, trabalhar mais, melhor, com mais sucesso, gozar publicamente com eles, dormir uma noite inteira, aparecer cada vez mais, falar no mesmo tom ou, se possível, um pouco mais baixo do que eles, enfrentá-los na praça pública (o que eles sofrem nestas ocasiões...), porque sei, todos os não invejosos sabemos, que o invejoso é um animal cobarde, assustado e que ao mínimo sinal de perigo se enfia na toca e desaparece por algum tempo. Claro que mais tarde tentará voltar a atacar. Mas nessa altura já muita água correu sob as pontes e os não invejosos ganharam mais distância e continuaram imperturbáveis no trilhar do seu caminho de sucessos.
Aos invejosos de todo o mundo, aos portugueses em geral e aos madeirenses em particular, com um especial carinho, deixo estes presentes que jamais se perderão no tempo. Porque sempre haverá invejosos. E sempre haverá invejados.
"O invejoso emagrece com a gordura dos outros" (Horácio)
"O homem que não tiver virtude própria sempre invejará a virtude dos outr os" (Francis Bacon)
"Enunciar imperfeições ou enumerar defeitos é o modo mais banal (e cobarde) de invejar" (Eduardo Sá)
"A virtude neste mundo é sempre maltratada, os invejosos morrerão, mas a inveja é poupada" (Pierre Corneille)
E para mim o melhor:
"Os ataques de inveja são os únicos em que o agressor, se pudesse, preferia fazer o papel de vítima" (Niceto Zamora)

António Barroso Cruz © 2007

terça-feira, 17 de junho de 2008

Curiosity!

O Sonho Impossível

Musiquinha recorrente...

Vem


1
Vem. Imagina-te no centro de todas as viagens.
Traz o perfume de outras eras, dos dias felizes em que fomos
alguma coisa mais. Talvez crianças breves, pássaros
feridos por um amor com sede de infinito.

Lembra-me os invernos, os outonos com sabor a erva
e a folhas gastas pelo tempo. E abre-me as janelas
que me fechaste um dia. E deixa-me entrar como uma brisa
em busca dos teus olhos, soprando nos teus cabelos.

Mas vem. Cobre-te de névoa e de flores. Veste o céu azul
e os prados verdes. E sorri, no silêncio possível do reencontro.
Deixa-te cair, nua e leve, nas asas do vento,
como uma pétala de rosa sem destino,
uma bola mágica de sabão
reflectindo sonhos no espaço. E aconchega-te dentro de mim.

Mas vem, anjo de transparências, de mãos brancas e suaves,
fruto exótico das minhas miragens. Vem. Traz a pureza
dos campos, o som das ribeiras correndo pelas encostas,
o murmúrio da noite de encontro às madrugadas.

2

Vem, apenas. Como se o mundo estivesse acabando,
a cada passo que dás em busca do meu sonho. E depois
não houvesse mais nada. Só tu e eu, enlaçados em viagem,
sobrevoando todos os horizontes.

Mas vem. Vem. Vem sem perguntares pelo amanhã,
pelos abismos que se abrem nas fronteiras dos nossos corpos.
Vem apenas. Com a lucidez dos espelhos e a espuma
inquieta do mar, batendo no calhau da praia.

Vem, docemente, como um papagaio de papel-de-seda
em tardes de vento brando. E fala-me de fadas, de castelos,
de rios mansos, onde alguma vez pudemos navegar.
Mas diz-me coisas sobre as árvores e as casas. Ou leva-me
contigo, como se fossemos apenas aves e voássemos com
o mesmo bater de asas. Vem, ou deixa-me morrer
com a tua lembrança numa manhã cinzenta,
com as gaivotas gritando no cais
e os vagabundos repartindo o seu sono
com os meus pesadelos. Mas vem,
como se partisses para sempre
e me esquecesses
nas tempestades das invernias desta ilha
algures perdida no tempo.
Vem.

José António Gonçalves*

(Poeta madeirense, in "Os Pássaros Breves", pgs. 31/32, Colecção "O Lugar da Pirâmide", nº. 38, posfácio de João Rui de Sousa, Ed. Átrio, Lisboa, 1995)

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Campanha francesa contra a violência conjugal











Forte? Realista.

Valeu...


2º mergulho do ano, desta vez na Praia de Natal, no Caniçal. Água límpida, sossego bom,(não havia nenhum desses barcos).
E uma dose de lapas a seguir.
Seria quase perfeito, não fosse a triste constatação que lugares como este são cada vez mais raros na Madeira, onde cada vez mais impera o cimento, a insconsciência, o desrespeito, o abuso, enfim.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

quinta-feira, 12 de junho de 2008

EasyJet vai ligar Madeira a Lisboa. Liga, liga!


A se concretizar, foi a melhor notícia que li hoje.
É porque essa famigerada liberalização da rota só veio penalizar os madeirenses.
Senão, vejamos:
- os preços variam conforme o mercado, e como se sabe a procura é muita, e dada a necessidade dos madeirenses, é rígida, isto não, não se altera consideravelmente;
- temos tarifas a oscilar entre os 75€ e os 400€ num percurso só (ida ou volta)... e como se poderá prever, negócio é negócio, as tarifas baixas serão poucas e muito concorridas;
- não foi negociado preço máximo, isto é, poderá ocorrer que em épocas altas, o preço seja determinado pela procura. Nem imagino os preços que se irão praticar no Natal, Fim de Ano, Carnaval, Páscoa... etc;
- os estudantes deixaram de ter uma redução qualquer, isto é, são tratados como qualquer residente;
- como não há contrato com nenhuma companhia aérea, a TAP deixou de ser obrigada a cumprir serviços mínimos, isto é, em casos de greves, ou alguma outra situação anormal, a Madeira, simplesmente corre riscos de ficar sem ligações aéreas para o Continente...
Em resumo, numa simples ligação doméstica Funchal-Lisboa ou Porto, poderemos ter o custo absurdo de 600 ou 800 (ida e volta)!
Assim, constata-se que às mentes iluminadas que nos “abriram” os céus nem lhes passou pela cabeça que, para os madeirenses, viajar para o Continente nem sempre é passeio, é muitas e a maior parte das vezes, necessidade. Sim, sair desta pérola ilhéua(?) e apanhar uma lufada de ar fresco é também uma necessidade, ó ó se é…
E esse monopólio da TAP é coisa que sempre me fez espécie.
So, God bless EasyJet!

World Press Photo no Funchal




Fome, pobreza e guerra são três das muitas realidades patentes na maior exposição de fotojornalismo mundial, para ver no Funchal.

Mais um ano. Para trás ficaram milhões de acontecimentos, uns trágicos, outros alegres, e tudo o resto que se passou por esse Mundo fora mas que só poucos souberam. Alguns desses episódios, seja por sorte ou experiência profissional, foram captados e imortalizados através do simples 'click' de uma máquina fotográfica.

A partir de amanhã e durante um mês, poderá visitar no Teatro Municipal Baltazar Dias a maior exposição de fotojornalismo mundial, 'World Press Photo', num total de 156 fotografias que retratam um mundo cruel mas onde também há momentos de alegria.

Este ano, Miguel Barreira foi o único português distinguido no prémio mais importante do mundo para os repórteres, com a imagem de um 'bodyboarder' numa onda gigante no mar da Nazaré, contudo, o grande vencedor foi um fotógrafo britânico com a famosa imagem de 'o soldado exausto' no teatro de guerra do Afeganistão, ilustrando o desgaste de um conflito que não leva a lado nenhum. Tirada a 16 de Setembro, descreve a "exaustão de um homem, a exaustão de uma nação", segundo refere o presidente do júri do prémio, Gary Knight.

Na exposição que vem ao Funchal, poderá ser vista a 'nata da nata' dos vencedores em categorias como 'Sport', 'General News', 'Spot News', 'People in the News', 'Contemporary Issues', entre muitas outras. A agência Getty Images arrecadou cinco galardões, nomeadamente os das principais categorias, em que se incluem as fotos do assassínio de Benazir Bhutto, líder da oposição no Paquistão, enquanto a AP venceu em duas categorias. Para visitar a exposição no Salão Nobre do Baltazar Dias, custará o preço simbólico de 1 euro. A mostra ficará patente ao público até dia 6 de Julho.

João Filipe Pestana

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Daffyd-- Gay Rights Now!

Da ténue fronteira que separa o direito à diferença da legitimação do exercício absurdo de direitos

sexta-feira, 6 de junho de 2008

faria, o grande!


Saber que o ex-bispo do Funchal vai receber o título de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique dá-me uma coisa má.

É que por muito ignorante que seja este povo (e é!), não conheço ninguém que lhe reconheça qualidades. Excepto o governo regional, claro.

Só o ar da personagem dá-me arrepios ruins. Não é por toda a gente dizer (à boca pequena) que o homem gosta de piquenos, não é por ter safado o seu amigo padre Frederico (como toda a gente também sabe).

Começa pelo ar libidinoso e vai pelo cinismo acima até à náusea.
Por confundir a moral com o próprio cu. Asqueroso.

Grande Oficial da Ordem do Nojo. Pra mim!


quinta-feira, 5 de junho de 2008




Gilberto Gil - Palco

Barulhinho bom...

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Corto Maltese

Gosto deste marinheiro...

terça-feira, 3 de junho de 2008

segunda-feira, 2 de junho de 2008

País a pontapé



A mentalidade submissa. Os dias engarrafados, anestesiados.
O presente em zapping, sem comando, visto do sofá.
O futuro daqui a nada, mas pré-pago, panorâmico e digital.
A liberdade de sermos apenas o que quiserem fazer de nós.
Financiaram-nos o que não queríamos nem precisávamos, a juros bonificados.
Depois, em suaves prestações ou pagando mais tarde. No fim de contas, levam-nos a pele, os ossos, os sonhos, como sinal. E uma vida inteira para amortizar.
Foi lá atrás que deixamos de ser cidadãos para passarmos a clientes.
Fazemos downloads das nossas ansiedades e vamos para a cama com o messenger.
Taxaram-nos a esperança, o horizonte, o hoje para financiar o amanhã.
Disseram-nos que, em última instância, o Estado regularia, velaria por nós. Só não nos disseram que o Estado já era também cliente, jogava na bolsa e no «off-shore», tinha vícios caros e amantes no privado. Esconderam-nos que o Estado já nem sequer regula bem. E, às vezes, não regula de todo.
Não sei quando começaram a falar-nos de livre iniciativa, economia de mercado, liberalização disto e privatização daquilo. Tudo em nosso nome, iríamos perceber a sensação. A concorrência em benefício do consumidor, mais opções, melhor qualidade. Não nos disseram o que queriam em troca. Não nos disseram quanto custava. Não perguntamos. E agora descobrimos que o seguro não cobre todos os riscos.
Aqui, despede-se e «reestrutura-se» em almoços de camarão da costa, moet & chandon e jaguar à porta. Congelam-se ordenados entre baldes de gelo e um «15 anos.» Fumam-se quatro salários mínimos em charutos, por mês, a discorrer sobre a crise e as dificuldades das empresas.
Original ou réplica, somos o que vestimos.
Somos igualmente o que viajamos, o que compramos, o que almoçamos, o que vemos. Não sei quando deixamos de ser simplesmente…humanos.
Votamos pouco e mal, mas elegemos convictamente marcas e anúncios, estamos decididos a ser a geração Nike ou Adidas e a referendar a Gant ou a Armani.
Aceitamos ficar sem tecto e almoço, mas nunca sem rede.
Vamos a Cancun, Natal e Varadero para ser vistos e mostrar que lá estivemos.
Por vezes, jantamos comida de design porque é «moda» e estamos na moda porque é in».
Pagamos e bebemos água como se fosse Barca Velha.
Buscamos o caminho mais curto para a existência e o equilíbrio emocional no spa, no pilates, na auto-ajuda e no quem nos acuda. Ao farmacêutico, ao psiquiatra e ao personal trainer só falta serem amigos lá de casa.
Endividamo-nos de ilusões, maquilhamos as feridas e angústias, retocamos a ideia que temos de nós e envelhecemos alegremente: tristes e infelizes, mas mais novos, saudáveis e atléticos graças à cirurgia estética e ao ginásio, IVA incluído.
Somos o zero à esquerda das decisões, a estatística gorda da fome, da pobreza, da desigualdade, a escanzelada percentagem de decência e dignidade. Somos, como numa cantiga, «intelectuais de bronzeado» e «elite de supermercado». Somos tema de conferências e colóquios, objecto de sondagens e estudos. Estamos nos resultados, mas nunca entramos na equação. Subtraem-nos nos lucros e fazem-nos cúmplices de prejuízos.
Mas, felizmente, nem tudo está perdido.
Por estes dias, vamos pôr uma bandeirinha na varanda, o disco do Roberto e do Tony, o cachecol no pescoço e comprar «sem juros, pague depois» aquele plasma muito em conta para ver o Ronaldo em grande e os filmes dos pequenos. Gritaremos até às entranhas pela pátria, pela finta, pelo cruzamento, pelo remate. Faltaremos ao trabalho, à família, aos amantes, à «manif» e aos compromissos. Em Junho seremos todos portugueses, todos iguais, todos diferentes: ninguém cobrará dívidas, até porque ninguém as pagaria.
Estaremos todos por Portugal em harmonia fiscal. Chamaremos Scolari de nosso, abriremos conta «no banco de sempre» e correremos atrás do autocarro da Galp e da selecção como no anúncio da televisão porque, entretanto, até boicotamos a gasolina.
De festinha em festança, talvez a sorte nos sorria a pontapé ou à cabeçada.
Quando regressarmos ao que efectivamente somos, estaremos, de novo, orgulhosamente sós. Sempre entre futebol e Fátima, entre um golo e uma oração. E de regresso ao velho fado.
Visao A Devida Comédia – Miguel Carvalho

Existencialista... bem que suspeitava






What philosophy do you follow? (v1.03)
created with QuizFarm.com
You scored as Existentialism

Your life is guided by the concept of Existentialism: You choose the meaning and purpose of your life.


“Man is condemned to be free; because once thrown into the world, he is responsible for everything he does.”

“It is up to you to give [life] a meaning.”

--Jean-Paul Sartre


“It is man's natural sickness to believe that he possesses the Truth.”

--Blaise Pascal


More info at Arocoun's Wikipedia User Page...


Hedonism


100%

Existentialism


100%

Utilitarianism


50%

Justice (Fairness)


50%

Apathy


25%

Strong Egoism


0%

Kantianism


0%

Nihilism


0%

Divine Command


0%