sexta-feira, 24 de junho de 2011
quarta-feira, 26 de maio de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Da comovente humanidade nossa

O que há de mais comovente em alguém são os medos disfarçados, implícitos ou negados, admitidos num acto extremo de cumplicidade e desamparo. Ou os pecados gozosos, dolorosos, gloriosos, mortais, veniais, vergonhosos, claro, confessados e com convite subentendido a partilhar, elaborar, dividir a culpa que deixamos de sentir, rir juntos, aperfeiçoar, aprender requintes e nos absolvermos mutuamente. Ou os vícios inofensivos ou perigosos, ou as inseguranças, ah meu deus, que lindas são as inseguranças, aquelas medidas das potências tão menores e insuspeitas, que nos aproximam e nos deixam reconhecer por trás do personagem calculista e frio.
O que há de mais comovente em alguém é a sua própria humanidade admitida e compartilhada, sem receio de que o outro faça disso uma arma mortal, mas ao contrário, com o desejo quase descrente de encontrar o eco de um mesmo grito, a sede de uma outra sede igual, o reflexo familiar do outro lado do espelho.
O que há de mais comovente em alguém é a sua própria humanidade admitida e compartilhada, sem receio de que o outro faça disso uma arma mortal, mas ao contrário, com o desejo quase descrente de encontrar o eco de um mesmo grito, a sede de uma outra sede igual, o reflexo familiar do outro lado do espelho.
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Constatações
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Haiti

O Haiti é um país ainda mais destroçado. Um país que vive uma realidade mortificante, que vai ter repercussões por muito tempo. Não vai passar dentro de dias, quando os holofotes do mundo se apagarem, quando as páginas dos jornais amarelecerem, quando as novas notícias nos sites substituírem as velhas sobre aquele país pequeno e pobre, quando os posts nos blogues passarem a focar outras matérias. Quando as associações humanitárias começarem a sair.
Mesmo depois de tudo isto acontecer, o Haiti vai lá estar. O povo do Haiti também. O país é o povo e este não tem para onde ir.
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Consternação
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
1 + 1 = 1

Duas infelicidades quando se cruzam são dois monólogos e, já se sabe, dois monólogos não fazem um diálogo. Deste modo, nunca conseguem dialogar. Uma quer sempre ser maior do que a outra. Quando uma decide contar uma tristeza, aumenta a sua história para evitar a concorrência.
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Constatações
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
A voar...

2010 chega a voar. E não se pode voar a olhar para o que fica nas costas. Eu gosto de voar, aliás, mesmo sem voar eu vou. Por favor, não me perguntem o que hoje já sei. Serviria de alguma coisa sair diariamente de casa 10 minutos mais cedo? Seria diferente? Ou ter chegado à vida adulta mais cedo? Ou viver noutro país? Convenhamos, é extraordinariamente cómodo pensarmos que, em determinada altura, optámos por uma realidade desajustada, errada até. Pensarmos que existe uma realidade paralela, mais confortável, que sempre nos acompanhou sem por ela darmos. É um capricho egocêntrico imputar responsabilidades ao que não aconteceu. Partir a conta com quem não se conhece. Pois, não é assim que as coisas se fazem. Sem a nossa presença física nenhuma realidade se satisfaz. Mesmo estando é o que é. Porque ninguém salvaria um amor que tivesse de acabar, como ninguém compreenderia os seus pais se tivesse nascido antes, como ninguém seria são se guardasse memórias da dor. A realidade não multiplica mas torna uno. Passa tudo pela aceitação, contrariamente à tábua rasa. São confortáveis estes entendimentos. O aceitar das dores em pretérito ajuda-nos a diminuir-lhes a intensidade. Continua tudo possível. As possibilidades não morrem com o tempo. Está-se sempre a tempo. A viagem na felicidade ainda se pode fazer. A nossa história é uma soma de tanto. É uma soma de tudo. Quantas destas horas as passei sem ver? Um terço? Uma década então. Aguma coisa terá ficado pelo caminho, alguma coisa terei perdido. Outra ganho… não sei bem. O que não me lembro posso ainda imaginar. A memória não se contraria. O sonho é poesia. Sonhar, melhor, imaginar é treinar com vontade. E eu, bem eu sempre treinei melhor do que joguei. Feliz 2010.
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Ponderações
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Obrigatório!

Amanhã, obrigatório ver este programa, na RTP2. Sendo que esta é a última emissão do programa. Vá-se lá saber porquê...
*Fotografia "roubada" no mesmo blog, mas por uma boa causa...
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Mar de rosas

Que bom se tudo fossem flores, se nos perguntassem se está tudo bem e respondessemos sinceramente que sim, se às vezes não fizéssemos merda, se não descontássemos a factura em quem não tem nada a ver, se não metessemos os pés pelas mãos, se não passássemos noites com insónias, não chorássemos, não nos sentíssemos sós, não tivéssemos medo, não nos achássemos incompetentes, não tivéssemos dúvidas, não cometêssemos erros, não estragássemos tudo.
Que bom se sempre víssemos tudo com clareza, soubéssemos sempre o que fazer, tivéssemos plano A e plano B, não fossemos apanhados com uma mão à frente e outra atrás, não tivéssemos stress, não mandássemos ninguém tomar nos devidos canais competentes, não culpássemos o inocente, não fizéssemos injustiças, não ficássemos chatos, nem repetitivos, nem imbecis.
Que bom se não deitássemos tudo a perder, não arriscássemos por tontice, não arranjássemos sarna pra se coçar, não fizéssemos papel de parvos, ridículos, patéticos, não fizéssemos tempestades num copo d’água, não passássemos atestado de idiotas, não caíssemos, não desistíssemos, não desperdiçássemos tempo com disparates, não tivéssemos vergonha da porcaria que se fez.
Mas quê.
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Sentir-se vivo
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Entre mim e o mundo*

Uni pontos
Tracei linhas
Fiz gráficos.
Enfim,
Planeei a vida
Em absoluto segredo.
Anda à roda o mundo
E os meus planos perderam-se
Num remoinho de vento.
Quem sou eu?
Sou um ser
Daquilo que quis ser
E não sou.
Vivo na reminiscência.
Penso no abismo
Onde hei-de cair
Lenta e penosamente.
*Do livro Entre mim e o mundo", do meu saudoso amigo Luís Alberto Tavares da Mata, em jeito de homenagem.
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(meus)Poetas
domingo, 29 de novembro de 2009

Regresso. Sem pretensões a nada que não seja um prazer inefável que se deixou adormecer, cansado de um mundo real que o ladeava, circunscrevia e abafava.
Fraquejou a vontade de revelar um mundo próprio que só as palavras poderiam trazer a outras vidas que não a minha. O espírito, essa essência desconhecida, essa entidade incorpórea que nos faz acreditar na unicidade dos carácteres, deixou-se arrastar para o seu próprio âmago, para o refúgio onde visa o reencontro com o molde original. E assim se deixou estar, observando a uma distância bem medida o tal mundo real, físico, que o cercava com uma ferocidade predatória.
Não estarei mais forte do que alguma vez terei sido. Estou apenas mais ciente deste mundo, o tal que é cão. Há quem diga que só se foge do que não se conhece. Pois bem... estou mesmo de volta. Um abraço, e até já.
P.S. E neste momento preciso mesmo de aspirinas e muito, muito chá de limão...
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Xiiiiiiiiiiiiii.............

Quem pensa que me afoguei naquele azul todo, desengane-se.
Impedimentos de vária ordem não me têm dado tréguas.
E é sempre estranho voltar depois de tanto tempo...
Mas volto. Sempre.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Bebedeiras de azul...
Pois é, não tenho andado por aqui...
Ando mergulhada neste azul.
Em bebedeiras deste azul. Quando recuperar, volto. Hasta!
Ando mergulhada neste azul.
Em bebedeiras deste azul. Quando recuperar, volto. Hasta!
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férias
terça-feira, 14 de julho de 2009
Prenda de anos

...Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo circulo da noite
Não existe piedade
Para aquele que hesita.
Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não-vivido deixa.
Não creias na demora em que te medes.
Jamais se detém Kronos cujo passo
Vai sempre mais à frente
Do que o teu próprio passo...
Sophia de Mello Brayner Anderson
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Afectos
sexta-feira, 10 de julho de 2009
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