sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

País sem memória

Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis
- Bertolt Brecht

- Infelizmente, neste país, estes, os que lutam toda a vida, são também os esquecidos. “O que diz bem da gente que temos. Do país desmiolado e desmemorizado que ergueram nas nossas barbas. E do qual somos cúmplices”.

Lido (comovidamente) aqui.


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Chove-me na alma mais que lá fora…

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A Map Comes To Life

Resistência

Quando se descobre que nos mentiram, traíram e enganaram perdemos o chão, pensamos que não vamos conseguir resistir. Quando descobrimos que alguém que nos era caro morreu e que não dissemos nada, pensamos que não vamos resistir. Quando descobrimos que a realidade não anda a par e passo com a vida, e que tantas vezes uma nos falta enquanto que a outra sobeja, pensamos que não vamos resistir. Quando, enquanto caminhamos, o amor se senta e pára, pensamos que não vamos resistir. Quando num emprego que supúnhamos duradouro e seguro somos dispensados, pensamos que não vamos resistir. Quando nos retiraram, porque não sabíamos gastar o tempo sozinhos, o que nos mantinha ocupados, pensamos que não vamos resistir. Quando vivíamos dentro e, sem que se percebesse, nos puxaram para fora, pensamos que não vamos resistir. Quando nos sentimos sozinhos numa multidão, num tempo, num sítio, pensamos que não vamos resistir. Quando sentimos que não nos alegramos a meio da semana, pensamos que não vamos resistir. Quando sentimos que não nos amaram como deviam mas como podiam, pensamos que não vamos resistir. Quando descobrimos que disseram mal de nós nas nossas costas, pensamos que não vamos resistir. Quando descobrimos que é impossível perdoar, mesmo o que desconhecemos, pensamos que não vamos resistir. Quando reconhecemos que saber mais é, sempre, saber menos, pensamos que não vamos resistir. Quando nos descobrimos diferentes, dos outros e do que um dia acreditámos ser, pensamos que não vamos resistir. Quando notamos que não fazemos tudo sozinhos, que não nos acompanhamos, que vamos envelhecendo, pensamos que não vamos resistir. Pensamos que não vamos resistir. Mas só pensamos. A esperança é sempre mais teimosa, mais obstinada que nós próprios. Quando estamos quase, quase a desistir, por uma razão qualquer, acreditamos que ainda não acabou. Acreditamos que ainda não é tarde. Recomeçamos sem memória. Dormimos em cima de um pretenso pesadelo. Um pesadelo que exagerámos, que promovemos. Confundimos tolerância com paciência. Não temos roupa para vestir a tristeza. Levantamo-nos nus. Saímos debaixo do nosso corpo. Lavamo-nos numa inspiração longa. Vestimo-nos numa expiração maior. Sem qualquer intento que seja, sorrimos. Iniciamos a marcha descalços em algodão. A cada palavra dita, ouvida, escrita, lida, abrimos os olhos. Nunca será tarde demais. Um dia antes de nos extinguirmos, uma hora antes, nunca será tarde demais. Sobrevivemos apesar de, depois de, antes de.
Sobrevivemos em nós.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Sai de Baixo - As pérolas da Magda

Tava a precisar de me rir com isto!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Pause


É impressão minha ou alguns cantores da praça andam num vazio de reportório e de inspiração? É ouvir o Rui Veloso a lamechar a "Cinderela", os GNR a lhe dar com o "bem bom" e "Que tudo o mais vá pró inferno", etc, etc...
Por favor, ao menos ressuscitem outros tesourinhos menos deprimentes!!
(Aqui no trabalho ligam o rádio todo o dia e tenho de levar com isto)...
Boringgggggggggggggggg..........................

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Life


Há quem tenha horror de pensar no passado. Eu sou disso exemplo, porque já tive. Já não tenho. Claro, hoje sou muito mais feliz do que fui ontem e, com sorte, menos feliz do que serei amanhã. Certo, certo, é que sou um algoritmo de adição. Sou a soma disso tudo. A soma disso tudo que já vivi. A soma de todas as pessoas que passaram pela minha vida. A soma de todos os momentos, bons e maus. Tudo isso está em mim, faz parte de mim. Todas essas vivências foram indispensáveis à construção do que sou hoje. Com o tempo, as coisas mudam (intensamente) o sentido. Tudo muda. Assim, não vale a pena combater o tempo guardando pedaços de memórias que já incorporámos e que, sendo nós, já o não são. Não é preciso esquecermo-nos de nada, mas é obrigatório deixarmo-las ir. Desta forma, e só desta forma, deixamos que coisas novas venham ocupar o lugar das (dessas) velhas. Chama-se higiene mental. Chama-se viver. Porque o essencial fica em nós. E é só desse que precisamos.

Nada mais.