quarta-feira, 26 de maio de 2010

Pequeno dicionário idiossincrático da memória



Sonho, é a vida que o melhor em nós escolhe, a despeito de todo o resto.

Força, é o que nos resta quando tudo o mais já se perdeu.

…que não podemos parar de sonhar e lutar nunca, porque às vezes só nos resta o sonho e a força - e são precisamente eles que nos mantêm vivos.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Da comovente humanidade nossa


O que há de mais comovente em alguém são os medos disfarçados, implícitos ou negados, admitidos num acto extremo de cumplicidade e desamparo. Ou os pecados gozosos, dolorosos, gloriosos, mortais, veniais, vergonhosos, claro, confessados e com convite subentendido a partilhar, elaborar, dividir a culpa que deixamos de sentir, rir juntos, aperfeiçoar, aprender requintes e nos absolvermos mutuamente. Ou os vícios inofensivos ou perigosos, ou as inseguranças, ah meu deus, que lindas são as inseguranças, aquelas medidas das potências tão menores e insuspeitas, que nos aproximam e nos deixam reconhecer por trás do personagem calculista e frio.
O que há de mais comovente em alguém é a sua própria humanidade admitida e compartilhada, sem receio de que o outro faça disso uma arma mortal, mas ao contrário, com o desejo quase descrente de encontrar o eco de um mesmo grito, a sede de uma outra sede igual, o reflexo familiar do outro lado do espelho.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Convicção


A educação não tem grau académico

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Haiti


O Haiti é um país ainda mais destroçado. Um país que vive uma realidade mortificante, que vai ter repercussões por muito tempo. Não vai passar dentro de dias, quando os holofotes do mundo se apagarem, quando as páginas dos jornais amarelecerem, quando as novas notícias nos sites substituírem as velhas sobre aquele país pequeno e pobre, quando os posts nos blogues passarem a focar outras matérias. Quando as associações humanitárias começarem a sair.
Mesmo depois de tudo isto acontecer, o Haiti vai lá estar. O povo do Haiti também. O país é o povo e este não tem para onde ir.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

1 + 1 = 1


Duas infelicidades quando se cruzam são dois monólogos e, já se sabe, dois monólogos não fazem um diálogo. Deste modo, nunca conseguem dialogar. Uma quer sempre ser maior do que a outra. Quando uma decide contar uma tristeza, aumenta a sua história para evitar a concorrência.